Os
Impactos do Agroquímicos sobre o Meio Ambiente
O
trabalho agrícola pode ser considerado uma prática perigosa na atualidade.
Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agroquímicos que são
relacionados a intoxicações dos seres vivos e diversos outros danos ambientais.
Este trabalho
procura levar informações aos leitores sobre a importância do uso correto de
agroquímicos e da consciência ambiental já que, o uso indiscriminado e, muitas
vezes incorreto de agroquímicos no Brasil, assim como em outros países resulta
em níveis severos de poluição do meio ambiente e intoxicação a vida humana.
Partes dos agricultores desconhecem os riscos impostos por
esses produtos, conseqüentemente, negligenciam algumas normas básicas
indispensáveis para a segurança no trabalho, partindo desse ponto este trabalho
tem a finalidade de mostrar aos leitores a importância do uso correto desses
agroquímicos para preservação do meio ambiente e da saúde humana.
Os
agroquímicos classificam-se em:
1. Os BACTERICIDAS destinam-se ao controle de doenças
causadas por bactérias.
2. Os NEMATICIDAS são destinados ao controle de nematóides.
3. Os HERBICIDAS são os defensivos destinados ao controle do
mato.
4. Os FUNGICIDAS são usados no controle de doenças causadas
por fungos.
5. Os INSETICIDAS destinam-se ao controle dos insetos.
6. Os ACARICIDAS são os defensivos destinados ao controle de
ácaros.
O presente
artigo apresenta como esse uso indevido e inadequados dos agroquímicos podem
causar grandes danos econômicos e ambientais à sociedade. Quando usado
incorretamente, este causa contaminação da água e dos solos, pois se desloca no
meio ambiente, através dos ventos e água da chuva para locais distantes do
local aplicado. Ele ainda pode ser responsável pelos altos índices de
intoxicação verificados entre os produtores e trabalhadores rurais, além de
provocar a contaminação dos alimentos.
O uso de
agroquímicos no campo atinge primordialmente os trabalhadores rurais, que
manuseiam e aplicam estes compostos. A Organização Mundial de Saúde estima que
ocorreram no mundo até 2000 cerca de quatro milhões de intoxicações agudas
causadas por esses compostos, com cerca de 220 mil mortes por ano. Cerca de 70%
dos casos registrados ocorreram em países em desenvolvimento (JEYARATNAM, 1990,
p.207).
O uso de
equipamentos de proteção adequados pelo agricultor pode reduzir em até 100 % a
exposição (BONSAL, 1985, p.13). Entretanto, devido a questões econômicas,
culturais ou desinformação quanto ao risco, o uso desses equipamentos, muitas
vezes, é precário ou inexistente.
Os Defensivos Agrícolas
O homem vem aprendendo desde a pré-história, a praticar a agricultura de uma
maneira mais produtiva com a finalidade de assegurar o seu sustento. No entanto
ele convive com o problema das pragas que destroem as plantas, as colheitas e
os alimentos armazenados, geralmente em grandes quantidades. O combate às
pragas é antigo. Os chineses há cerca de 1.000 anos atrás, já utilizavam
compostos de arsênio, como o sulfeto de arsênio.
Com objetivo de proteger a sua colheita, o homem desenvolveu
os agroquímicos também denominados pesticidas, praguicidas ou defensivos
agrícolas, etc. Estes produtos químicos, ou mistura destes, são destinados ao
uso, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na
proteção das florestas e outros ecossistemas urbanos, hídricos e industriais, a
fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, também
empregados como substâncias e produtos desfolhantes, dessecantes,
estimuladores, inibidores do crescimento e fertilizantes para as plantas.
Sua aplicação indiscriminada acarreta inúmeros problemas,
tanto para saúde dos aplicadores e dos consumidores, como para o Meio Ambiente,
contaminando o solo, a água, levando à morte plantas e animais.
A agricultura brasileira cada vez mais tem feito uso desses
insumos químicos, principalmente de agrotóxicos, e isso acarreta numa serie de
problemas ecológicos.
Segundo Ferrari (1985, p.110) "ate os anos 50 as
atividades da agricultura estavam direcionadas para geração de produtos (café e
algodão, principalmente) para o autoconsumo da população residente no meio
rural e alguns poucos núcleos urbanos". mas com o aumento da população
urbana houve a necessidade de aumentar a produção agrícola para abastecer os
centros urbanos, utilizando agrotóxicos para combater as pragas mesmo sem saber
quais as conseqüências que poderiam ser geradas por estes produtos.
De acordo com Ferrari (1985, p.111) a contaminação de
alimentos, poluição de rios, erosão de solos e desertificação, intoxicação e
morte de agricultores e extinção de espécies animais, são algumas da mais
graves conseqüências da agricultura química industrial e do uso indiscriminado
de agrotóxicos largamente estimulados nos últimos 25 anos.
Devido à contaminação ambiental e aos resíduos de agrotóxicos
nos alimentos, podemos também estimar que as populações residentes próximas a
áreas de cultivo e os moradores urbanos também estão significativamente
expostos aos efeitos nocivos destes agentes químicos (CARVALHO et al, 2005, p
223).
O Impacto Ambiental
O consumo de agrotóxicos gera um círculo vicioso: quanto mais
se usa, maiores são os desequilíbrios provocado e maior a necessidade de uso,
em doses mais intensas, de formulações cada vez mais tóxicas.
A fauna e a flora também são amplamente afetadas com o uso de
insumos químicos indiscriminados. De acordo com Ferrari (1985, p.112), as
terras carregadas pelas águas das chuvas levam para os rios, lagoas e
barragens, os resíduos de agrotóxicos, comprometendo a fauna e a flora
aquática, além de comprometer as águas captadas com a finalidade de
abastecimento.
Podem também provocar o aumento das pragas ao invés de
combatê-las, pois na medida em que se usam insumos químicos as pragas tornam-se
mais resistentes, necessitando de agrotóxico cada vez mais forte, desse modo,
agredindo ainda mais o ambiente dizimando até os próprios predadores naturais
das pragas.
Agricultura Industrial, rotulada de moderna e avançada,
fundamentada na economia e nos imediatos resultados à proteção das plantas
cultivadas contra a ação das pragas, patógenos e ervas daninhas invasoras, tem
falhado constantemente.
Para a Agricultura Industrial, o objetivo é meramente a
produtividade, deixando de lado o equilíbrio ecológico, tais como: a
estabilidade dos sistemas agrícolas: a conservação dos recursos naturais (água,
solo e ar) e a qualidade dos alimentos.
Contaminação
dos Recursos Hídricos pelo excesso de água aplicada
O excesso de água aplicada na irrigação retorna aos rios, por
meio do escoamento superficial e subsuperficial ou vai para os depósitos
subterrâneos, por percolação profunda, arrastando consigo resíduos de
fertilizantes, de defensivos, de herbicidas e de outros elementos tóxicos,
denominados de sais solúveis. Os recursos hídricos assim contaminados requerem
tratamento apropriado quando destinados ao suprimento de água potável.
A contaminação das águas superficiais, notadamente de rios e
córregos é rápida e acontece imediatamente após a irrigação. Tem-se verificado
sérios problemas decorrentes da aplicação de herbicidas na irrigação por
inundação; na irrigação por sulco, a água aplicada carreia, além de herbicidas,
fertilizantes, defensivos e sedimentos. Também pode ocorrer de forma mais
lenta, por meio do lençol freático subsuperficial, que recebe fertilizantes,
defensivos e herbicidas dissolvidos na água aplicada. Essa contaminação pode
ser agravada se houver sais solúveis no solo, pois, ao se infiltrar, a água já
contendo os sais aplicados na lavoura, ainda dissolverá os sais do solo,
tornando-se mais prejudicial.
A contaminação da água subterrânea é bem mais lenta. O tempo
necessário à percolação até o lençol subterrâneo aumenta com o decréscimo da
permeabilidade do solo e com a profundidade do lençol. Para atingir um lençol
freático situado a cerca de 30 m de profundidade, dependendo da permeabilidade
do solo, podem ser necessários de 3 a 50 anos. Aí reside um sério problema,
pois só muito tempo após é que se saberá que a água subterrânea vem sendo
poluída; esse problema se agrava os poluentes são sais dissolvidos, nitratos,
pesticidas e metais pesados.
Um estudo geológico prévio pode revelar concentração de sais
solúveis no perfil do solo e indicar as áreas mais favoráveis, ou seja, com
menor potencial de contaminação dos recursos hídricos. Quanto maiores às perdas
por percolação e por escoamento superficial na irrigação, maiores serão as
chances de contaminação dos mananciais e da água subterrânea. Torna-se
necessário, cada vez mais, dimensionar e manejar os sistemas de irrigação com
maior eficiência, bem como dosar corretamente os fertilizantes, herbicidas e
defensivos.
De acordo com IBGE (1993), 96% da água distribuída no Brasil
é analisada e recebe algum tipo de tratamento, como filtração e adição de cloro
e flúor. Dos 25% da população do país domiciliados em áreas rurais, apenas 9,3%
têm rede de abastecimento de água, 57,9% utilizam água de poço ou nascente e
32,8% têm outra forma de abastecimento. Quanto às instalações sanitárias apenas
1,8% são favorecidos pela rede geral, 7,0% utilizam fossa séptica, 34,7%, fossa
rudimentar, 7,4% usa outro escoadouro e 49,0% não dispõem de instalação
sanitária. Também de acordo com o IBGE (1993), 11,2% dos moradores de áreas
rurais dispõem de serviço de coleta do lixo domiciliar, 33,4% queimam ou
enterram o lixo e 55,4% o dispõem em terrenos baldios e outros. Outro agravante
que age como poluente difuso é o uso de fertilizantes e agrotóxicos no país.
De acordo com dados do GARDA et al. (1996, p.137), das
3.186.276 T de agrotóxicos usadas, 300.000 T cumprem a sua função. O restante contamina
o solo e a água. Para os fertilizantes, das 1.832.658 T distribuídas, 750.000 T
são aproveitadas, sendo o restante carreado por águas de chuva, chegando a
atingir o lençol freático.
Com esta pesquisa pode-se concluir que todos os impactos
causados pelo uso incorreto dos agrotóxicos resultam em danos diretos ou
indiretos ao homem. A contaminação dos solos, ar, água, fauna e flora
ocasionada pelo seu uso incorreto traz inúmeros problemas tanto para o meio
ambiente quando para a saúde dos seres vivos.
Como base no exposto, fica evidente a necessidade e
importância de uma educação o do público em geral, no sentido do uso correto
dos defensivos têm a sua parcela grande de importância na formação de uma
atitude cultural adequada dos usuários.
Postado por: Emerson
dos Santos Araújo
