quinta-feira, 29 de agosto de 2013

SISTEMA DE PLANTIO DIRETO EM AGRICUTURA ORGANICA


SISTEMA DE PLANTIO DIRETO EM AGRICULTURA ORGÂNICA

Moacir Roberto Darolt1 e Francisco Skora Neto2

1Pesquisador Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) – Curitiba,PR – darolt@iapar.br

2Pesquisador IAPAR – Ponta Grossa,PR – skora@iapar.br

O objetivo deste artigo é discutir as possibilidades de se utilizar o sistema de plantio

direto em agricultura orgânica, observando principais entraves e possíveis soluções que vêm

sendo utilizadas por agricultores pioneiros. Neste sentido, foram levantados alguns indicadores

técnicos e econômicos que possam servir de comparação entre sistema orgânico e

convencional.

Desafios, Contradições e Dificuldades

Fazer plantio direto sem o uso de herbicidas é um dos grandes desafios da atualidade

para a pesquisa, assistência técnica e agricultores. Uma das principais críticas de quem defende

o plantio direto é a de que os agricultores orgânicos costumam revolver demasiadamente o

solo. Em nosso trabalho de pesquisa com produtores orgânicos, verificamos que ainda é

grande o uso de implementos como a rotativa que movimentam excessivamente o solo, o que

não está totalmente de acordo com os princípios orgânicos (Darolt, 2000). De outro lado, os

agricultores orgânicos criticam os usuários do sistema plantio direto pelo uso exagerado de

herbicidas, a grande dependência de empresas químicas, a possibilidade de contaminação das

fontes de água com agroquímicos e o possível uso de sementes transgênicas.

Em verdade, a melhor saída para atender os preceitos da sustentabilidade seria a

prática do plantio direto seguindo os princípios orgânicos. Muitos agricultores, que têm

trabalhado com plantio direto no sentido de reduzir a utilização de agroquímicos, já se

aproximam - em certa medida - do ideário da agricultura orgânica. Para se tornarem

efetivamente orgânicos será necessário que a unidade de produção passe por um período de

conversão.

O processo de mudança do manejo convencional para o orgânico é conhecido como

conversão. Segundo as normas brasileiras, para que um produto receba a denominação de

orgânico, deverá ser proveniente de um sistema onde tenham sido aplicados os princípios

estabelecidos pelas normas orgânicas por um período variável de acordo com a utilização

anterior da unidade de produção e a situação ecológica atual, mediante as análises e avaliações

das respectivas instituições certificadoras.

Entretanto, para evitar arbitrariedades e distorções, as normas brasileiras estipulam

um período mínimo para a produção vegetal de culturas anuais, como olerícolas e cereais por

exemplo, de 12 meses sob manejo orgânico. No caso de culturas perenes, a propriedade deverá

cumprir um período de conversão de 18 meses em manejo orgânico. Para atender a legislação

do mercado internacional o prazo é mais dilatado, sendo 24 meses para culturas anuais e um

período de conversão de 36 meses para culturas perenes. Vale lembrar que os períodos de

conversão acima mencionados poderão ser ampliados pela certificadora em função do uso

anterior e da situação ecológica da propriedade.


Postado por Almir Cardoso

Um comentário:

  1. O plantio direto sem uso de herbicida deve ser melhor avaliado para que não haja perda da safra
    por causa dos fatores externos, se não houver praga tudo bem, pode-se não usar mas por outro lado o plantio direto corre certos riscos.

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